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Matripotência

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  na tessitura política entre cura e libertação, a vida nos fala em acordes: meu lugar é onde eu quero, onde espero e me permito estar. sei onde habita meu pranto, e nesse momento me encontro, ocupando todo lugar. a ancestralidade nos convida a mergulhar, em histórias que fervem no corpo, e respingam na alma, se encontram nas reminiscências, memórias que cruzam o atlântico, até o ventre da matripotência. o mar nos faz corpo-travessia, no imaginário da mulher amefricana: no cuidado coletivo que cria e sustenta, entre o novo e o antigo, até a deusa soberana. mesmo quando o patriarcado colonizador, tenta nos impedir de transcender, ditando aquilo que é permitido, dizendo o que não podemos ser. pois os homens tecem suas masculinidades, em pactos íntimos, porém fragmentados, ignorando a mandinga fêmea transmutada, que resiste ao cisheteropatriarcado. a matripotência é senhora do sagrado: é a mãe preta que alimenta saberes, é o mundo concebido e povoado, encarnado na semelhança dos seres...

Amuleto

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pé de pato mangalô três veis carranca de ribeirinha  patuá, lírio-da-paz, rosa dos ventos trevo de quatro folhas vence tudo, abre caminho contregum, pé de coelho olho grego, espada de são jorge anil, sal grosso, defumação incenso, reza forte, mão de hamsá mandala, mandinga, pimenteira infinito, turmalina, ferradura espelho baguá, elefante, olho de hórus pentagrama, escudo celta, banho de pipoca apanhador de sonhos, alho, cruz solar arruda, figa de guiné, salmo 91 pemba, banho de abô, tridente de ferro fios e contas, vela branca, escapulário rosário, talismã, oferenda, cruz solar, machado, espadim escaravelho, dragão chinês, biscoito da sorte comigo-ninguém-pode, sal grosso, feng shui olho turco, buda, quartzo, vodu radiestesia, alecrim, vaso de sete ervas fita do senhor do bonfim, heiki, lord ganesha. Como pode ser melhor, universo? boca fechada planos secretos pés ligeiros: devagar também se chega. sâmara Azevedo®

A masmorra

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  três correntes me aprisionam:  o pânico, a ansiedade e a depressão.  o primeiro me olha de cara feia,  e eu nem posso lhe retribuir.  pois ele já nasceu assim, horripilante, e eu linda nasci. a segunda moléstia se mostra implacável, ninguém imagina seu poder letal,  por fora ela nem parece que existe,  mas ainda assim ela insiste:  "sua vida nunca mais será normal". a depressão é o demônio purinho,  já estive frente a frente com esse cidadão,  o danado sussurra em nosso ouvido,  diz que nossa vida não mais faz sentido,  e eu finjo falta de audição. a medicina dos homens é imprescindível, a moça da psicologia é eficaz,  a ciência trabalha para curar.  mas tenho oxum no meu orí, oyá e obaluaê na minha vida, e quando se tem a cabeça protegida, mal nenhum há de durar. eu sinto de longe a força ancestral,  e ela aponta para uma direção:  não é necessário que eu corra.  vou pegar as correntes, prender as mo...