Matripotência
na tessitura política entre cura e libertação, a vida nos fala em acordes: meu lugar é onde eu quero, onde espero e me permito estar. sei onde habita meu pranto, e nesse momento me encontro, ocupando todo lugar. a ancestralidade nos convida a mergulhar, em histórias que fervem no corpo, e respingam na alma, se encontram nas reminiscências, memórias que cruzam o atlântico, até o ventre da matripotência. o mar nos faz corpo-travessia, no imaginário da mulher amefricana: no cuidado coletivo que cria e sustenta, entre o novo e o antigo, até a deusa soberana. mesmo quando o patriarcado colonizador, tenta nos impedir de transcender, ditando aquilo que é permitido, dizendo o que não podemos ser. pois os homens tecem suas masculinidades, em pactos íntimos, porém fragmentados, ignorando a mandinga fêmea transmutada, que resiste ao cisheteropatriarcado. a matripotência é senhora do sagrado: é a mãe preta que alimenta saberes, é o mundo concebido e povoado, encarnado na semelhança dos seres...