Trovoada para dois


essa chuva e esse frio
não respeitam ninguém.

eu nessa energia,
nesse frio,
me sentindo a puta mal paga
da própria vontade.

o frio parece meu amigo gay:
“puta, eu bato na cara”
e nem é do jeito que gosto.

fiquei confusa.

"ain, mas tem vibrador."

mas o vibrador não lhe bota de quatrão, lhe dá dois tapas na bunda e mete forte, para depois dormir de conchinha numa noite fria.

o vibrador não beija a gente lento,
não envolve num abraço quente,
não tem cheiro,
não tem peito largo
onde a gente encosta a testa
depois do caos.

que merda.
vou parar com essa conversa.
está chovendo.

ninguém terá paz nesse frio.
os solteiros, pelo menos, não.
as probabilidades são menores.

quem tiver sua conchinha hoje,
que segure.

quem não tem,
que chore.

dias difíceis.
trovoada e as porra.

aqui, trovoada mesmo —
e não o ronco de um homem grande
e forte
pós-sexo.

e eu
só querendo
te deixar feliz.
e com tesão.

que merda.
eu vou parar com essa conversa.
está chovendo.

sâmara azevedo®


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